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sexta-feira, 23 de março de 2018

POESIA FORA DA CURVA




da série: LIVROS!

Tríade, repetição, soa como música no encadeamento das letras. O livro POESIA FORA DA CURVA de Lecy Sousa (Editora Pará.grafo, 2017), trata de temas atuais e brinca na cadência dos versos. O livro se inicia com três poemas sem título – a tríade. O restante dos poemas são nominados.
No poema “Letra de Forma” os caracteres estão diferentes dos demais títulos. Estão em LETRA DE FORMA, literalmente.

Cito o Prof. Cláudio Murilo Leal (UFRJ) num artigo sobre Comunicação:
“A escrita, no entanto, como é sabido, obriga a uma leitura temporal. Assim, a idéia de um simultaneísmo na recepção do literário serve apenas como metáfora de uma radicalização”.

A leitura temporal dos versos de Lecy remete a esta radicalização, cuja metáfora escondida nas entrelinhas dá suporte aos fatos. A repetição não como uma idéia de enfado e sim da modernidade, da velocidade dos dias atuais, da velocidade das tecnologias. A ironia perpassa nos versos do poeta, desde o voo dos ÓVNIS, passando pelos guerreiros helênicos, seja no Coringa em Gotham City, ora pelo chip das Redes.
Tal qual Chaplin no filme “Os tempos modernos” e presente no poema “Industrializassomos”.

Para perceber estas sutis peculiaridades, o livro encontra-se no link abaixo:


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

SOB O DOMÍNIO DA ASPEREZA


da série: LIVROS!


SOB O DOMÍNIO DA ASPEREZA

“É tarefa do escritor retratar as realidades:
as realidades sórdidas,
as realidades que causam enlevo”.
SUSAN SONTAG

Amargor, aspereza no trato, rudeza, sabor ácido, irritado, mau humor. Características apresentadas no livro AZEDUME (Artinamarra, 40 páginas, 2009) de Sylvia Marteleto. Sob o selo da Artinamarra onde são publicados livros “na marra” e com o incentivo (cultural e monetário) digno a todo aquele que expõe sua arte independentemente, a autora lançou no mercado seu segundo livro de contos. No início do livro, uma epígrafe: um trecho de Dom Casmurro, de Machado de Assis que fala da “alma da gente”. Chamo a atenção para a comparação das casas de poucas janelas como conventos e prisões. Nos contos as personagens se apresentam como casas deste tipo. Possuem raras ou minúsculas janelas que nelas possam atravessar alguma luz de esperança em suas vidas amargas.
O que se leva em consideração é a vida azeda e ácida das personagens. Trata da possibilidade e da impossibilidade das relações humanas de convivência entre si. As decepções e angústias da vida moderna. No conto “Sobre duas amigas vedetes”, a personagem Lily se depara com o abandono dos sonhos em decorrência do sucesso de um outro concorrente num cabaré. Resolve abandonar a carreira e torna-se amarga com sua amiga e parceira de espetáculo.
Em “O Julgamento”, almas perdidas e amedrontadas de serem expulsas até do próprio inferno, revelam suas lamentações diante do Príncipe do Mal.

Sylvia nos brinda com estes personagens azedos – meros seres fadados ao fracasso. AZEDUME pode ser considerado um livro sob o domínio da aspereza. Mas também sob o domínio da inteligência. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Distraídas astronautas


da série: LIVROS!

Na capa uma moça pedala ao luar – como uma astronauta distraída em seus pensamentos e ao mesmo tempo refletindo sobre a vida.

No livro DISTRAÍDAS ASTRONAUTAS de Simone Teodoro (Editora Patuá, 2014), a linguagem é simples e direta. Não há rodeios. Nos versos, suas relações com a mãe, a natureza, o amor evidenciam a tênue linha entre a vida e o mundo. E se mostra como um mundo de cores: Azul sem nuvens, ruas cinzentas, buraco negro, tons carmins, barba branca, folhas verdes, sinal vermelho, pulsar das cores, ramos sem cor...

Em “Passeio de bicicleta” (pág. 69) o entrelaçamento das cores traz para a visão da poeta o mundo como ele realmente é: estranho! Entretanto, não sem amor – que é a mola que move qualquer mundo. 

E a bicicleta é um instrumento libertador! Distraídas astronautas pedalam por aí pelas ruas e avenidas. São Simone’s, Bruna’s, Ana’s, Clarice’s desafiando este mundo tão masculinizado.


De distraídas, elas não têm nada. 

sábado, 30 de dezembro de 2017

EBA 2017


Esta foi a nossa última EBA (Escola Bike Anjo) de 2017. Foram muitas alegrias que tivemos neste ano. A gente se divertiu bastante. E espero que 2018 seja repleto de muitas pedaladas, corridas e felicidades! Obrigado a todas e todos aqueles que fizeram nosso ano ser mais bonito...



domingo, 10 de dezembro de 2017

Lembrança feliz de dias de flores


O curta metragem UMA LEMBRANÇA FELIZ DE DIAS DE FLORES, do estilista mineiro Rodrigo Fraga trata o tema do vestuário. Daquele prazer em vestir uma roupa nova e de se sentir bem consigo mesmo.

O casamento é o destaque deste filme em preto&branco. E trata de ambientes antigos onde se pode perceber um telefone retrô, crucifixos nas paredes, num jogo de luzes de filme noir.

Os atores Leandro Ribeiro e Trevor Pedrowski pedalam pelas ruas que parecem ser da cidade de Ouro Preto. E as bicicletas são antigas também.


Mais do que pedalar, o curta destaca a relação entre afeto e moda, ou seja, a linha tênue que nos separa entre ser humano e seu vestuário. Ou incorpora.


domingo, 19 de novembro de 2017

Ano do Chumbo


da série: LIVROS!


“ali naquele sofrimento
era dia de coisa pequena
acabamento
pois que tudo recomeça
entendia nesse mesmo rodar de tudo...”

A aspereza em tocar o livro ANO DO CHUMBO, de Marcos Assis (edição independente, 2014) traduz a inquietante assimilação do mundo do poeta. Os dedos, as mãos, as unhas resvalam na lixa (literalmente!) que compõe a capa deste ANO DE CHUMBO.

A cada poema lido uma vontade soltar o objeto para se ficar livre da irritação nos dedos. Irritação esta que é a voz do poeta num mundo desconexo.

A vida é como um “papagaio surecão” que não voa, como o mês de agosto que já passou e que é tido como agourento e mesmo assim permanece no agouro das horas dos meses seguintes.


Chumbo é um metal pesado. E pesado são os versos inquietantes desta obra. É como “caminhar contra esse sol por cima de todas essas pegadas”. 

domingo, 15 de outubro de 2017

RASGANDO O VÉU



da série: LIVROS!

Em seu primeiro trabalho, Cristina Carone assume a voz da mulher sensível que não mede esforços para expor seus sentimentos. Os poemas foram escritos de forma sincera, com amor e paixão. RASGANDO O VÉU (Edição do Autor, 2007) é um livro de pura “sensualidade” para quem ama a poesia romântica. Também sugere ao leitor refletir sobre a profundidade da poesia, da sua beleza e do quanto ela toca o coração. Em pleno Século XXI, ela ainda continua viva vencendo as barreiras do tempo, lutando, se impondo e trazendo esperança àqueles que jogaram os sentimentos ao chão, para viverem o materialismo, permitindo às máquinas esmagarem o ser humano, e o mais lindo sentimento do mundo: O AMOR.