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domingo, 27 de agosto de 2017

C.Í.T.R.I.C.A.S


O projeto C.Í.T.R.I.C.A.S apresenta trabalhos da Bruna Caldeira e de seus colegas de classe da Escola Guignard. Os jovens artistas deixam suas marcas na galeria da Espaço Cultural MGTI, na Avenida Afonso Pena, 4.000, 3º andar. Inspirados única e exclusivamente no fruto (a mexerica) os artistas deram vazão às ideias.

E de posse de seus pincéis e lápis coloriram as paredes...

A exposição fica até o dia 24 de setembro de 2017.

Não perca!





terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

QUERO QUE VOCÊ ME DETESTE


Primeiramente: Adorei!

A exposição do artista plástico Daniel Bilac na Galeria Celma Albuquerque tem o inusitado título de QUERO QUE VOCÊ ME DETESTE

Ao mesmo estilo “Ame-o ou deixe-o”. Ou goste ou não goste. E não é à toa a referência policial contida nas obras. Uma “exposição manifesto”. Dos prós. Dos contras.


A exposição é fruto de trabalho incansável do Estúdio Guayabo junto com Valquiria e outros tantos dedicados.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

TRAÇOS INDELÉVEIS



A convite da amiga Bruna Caldeira fui conferir uma exposição perto do Viaduto Santa Tereza, no Baixo Centro Cultural. E me deparei com a forma e simplicidade de um jovem dedicado à Arte.

A exposição do artista plástico Léo Maia trata a Arte com a precisão milimétrica, cujos traços são de um restaurador. O cuidado e esmero, paciência e ambição de atingir a plenitude.

Segundo a professora Maria Beatriz Furtado Rahde,

“Considerando que a criação imagística envolve um contexto sócio-cultural que consiste em dar forma a alguma ideia, como necessidade dos processos criativos inerentes ao homem para estruturar uma linguagem formal estudá-la nas suas multifaces é aspecto a ser refletido”.

Verificamos na série “coração” – não nos apresenta em sua forma clássica, bem redondinho na cor vermelha e sim, um coração como ele realmente é: um órgão feito de músculos. E aqui, os músculos são traços, linhas, pequeninos detalhes na visão do artista.

Ainda a professora Maria Beatriz Furtado Rahde,

“Apoderar-se dos conhecimentos como base teórica de construir imagens, utilizar-se da própria simbologia é uma forma de comunicar aspectos expressivos cuja leitura será decodificada pelo espectador. Sobre esta reflexão, artista e público são elementos indissociáveis para a fruição de uma imagem criada”.

Os traços simples que definem a africanidade das obras de Léo Maia é o que nos faz refletir sobre esta interação entre espectador e artista.  É o que cada um nós pode interpretar, sentir e admirar.







domingo, 1 de janeiro de 2017

COMCIÊNCIA 2



O aconchego das lambretas lembra o amor.
Como se duas máquinas pudessem sentir a beleza do sentimento.
O entrelace delas formam a figura do carinho.


A obra da australiana Patricia Piccinni.

COMCIÊNCIA


O choque da arte com a realidade. Seres estranhos. Alienígenas. Mutações genéticas. Como se fossem parte de um experimento que não deu certo. Criaturas assexuadas. A humanidade dos seres estranhos com os humanos. Os seres quase sempre nus. Não só suas formas estranhas aos nossos olhos... quase sempre em gestos carinhosos.

A obra da australiana Patricia Piccinni.





sábado, 31 de dezembro de 2016

Cores & Formas



Azul. Vermelho. Amarelo.

Traços. Retas. Quadrados. Amplitudes. A simplicidade nas formas diretas. Do jeito mais preciso. E depois, a multiplicação das formas, no jeito mais variado de se produzir Arte. Na geometria das coisas, das cores. Na capacidade de expressar seu mundo nas cores primárias. De uma maneira bem matemática – de ângulos, linhas, entroncamentos. A profundidade das cores: a viagem para dentro do infinito. O mergulho no labirinto... do caos!

As cores e as formas do pintor holandês Piet Mondrian (1872-1944).


terça-feira, 8 de novembro de 2016

MOBGRAPHIA DE HOSPÍCIO


A exposição do artista e psicólogo Felipe Arthur, na AMMG - Associação Médica de Minas Gerais causa impacto logo na entrada. Uma roupa esfarrapada, disforme, pendurada, exposta, nua & crua na cara do expectador. É o impacto, o choque, como costuma ser as exposições de Felipe. A obra intitula-se “Corpo de Hospício 2013: Instalação interativa, pijamas hospitalares”. Não sendo, de certa forma, um contraste com as fotografias em exposição. Fotos em preto&branco revelando a face das pessoas internadas em sanatórios, traduzindo alegria e indiferença diante da câmara fotográfica.


A mostra MOBGRAPHIA DE HOSPÍCIO reside no contraste entre o neutro e o colorido. Na mesa, fotos coloridas impressas em pequenos tocos de madeira. Como pedaços de esperança nas cores vivas – como quebra-cabeças a serem montados para a Vida.

domingo, 18 de setembro de 2016

SÃO LOUCOS, MAS NA VERDADE SÃO GENIAIS...





A idealização do projeto é do grupo BARKAÇA de Dioli e Karol Penido que produziram este trabalho fantástico. Acompanha o trabalho, um DVD cujo documentário apresenta vários depoimentos das pessoas que conviveram com o artista.

Nascido em Divinópolis, Hercules Veloso Cordeiro – Hevecus faz da sua obra a transposição de figuras, amálgama de cores, traços fortes, cores berrantes, mosaicos lineares, disformes. O uso do amarelo, do brilho, e por isso caracterizado como “artista solar”.  Outra característica é a sua mistura cujos quadros possuem tinta a óleo com giz de cera. Em outros, grafite com tinta nanquim. “Ele faleceu em Bom Despacho no dia 23 de janeiro de 1987, após cometer suicídio”. Tinha 35 anos de idade.


Dizem que a loucura acompanha o artista, mas na verdade a genialidade supera a insanidade...



Informação
HEVECUS: Um artista solar
Divinópolis: Barkaça, 2012.
30 páginas
Tiragem de 500 exemplares
Distribuição Gratuita

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

REVOADA



Uma revoada de pássaros é uma coisa muito bonita de se ver. Agora, traduzir isso com pedaços de madeira é algo para alguém criativo. A obra do artista plástico Flávio Cro intitulada REVOADA nos permite verificar a sua visão sobre o mundo. Aquele primeiro impacto que a obra choca com o olhar é a do espanto e depois é o da assimilação – a maneira como nosso cérebro processa a informação. As seções instaladas em paredes brancas há objetos coloridos: nitidamente percebe-se o voo. E não é perceptível com os objetos não pintados. Verifica-se apenas e tão somente, o que eles são: as lascas de madeira. As não coloridas formam figuras um tanto “quadradas”, corretas, retilíneas: são como gaiolas. Os objetos coloridos são como a “revoada”. Como andorinhas aprisionadas que ganharam a liberdade, e que – freneticamente – se lançam nos céus numa dança festiva. E com apenas estes (simples e preciosos) materiais recicláveis, Flávio Cro nos presenteia com a sua Arte.

domingo, 19 de junho de 2016

UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS


Ele joga tinta sobre a tela camada por camada sem diluição da mesma e o resultado: alto relevo numa confusão de cores! As tintas parecem ondular nos quadros, num movimento contínuo...

UM TRÁGICO NOS TRÓPICOS é o título da Mostra de quadros do artista gaúcho Iberê Camargo (1914-1994). Como ele próprio se definiu: “Não, meu coração não é maior que o mundo, é muito menor. Nele não cabem minhas dores”.

Na série “Tudo te é falso e inútil” é de uma profundidade sem fim: sujeitos isolados num mundo sem cores. Assustador e bonito.

Não se percebe uma explosão de cores vivas como num Van Gogh e sim uma apresentação de cores neutras (preto, cinza, marrom) e formas geométricas, onde a cor vermelha é apenas um detalhe. Ele usa pinceladas bruscas, riscos, rabiscos...  constrói e desconstrói a obra até chegar a sua perfeição.

Iberê Camargo no fim de sua vida resolveu retratar ciclistas em suas telas. Figuras esquisitas, ciclistas estranhos. Situados em ambientes desolados contrastando com a beleza da vida.

Sou um andante. Carrego comigo o fardo do meu passado. Minha bagagem são os meus sonhos. Como meus ciclistas, cruzo desertos e busco horizontes que recuam e se apagam nas brumas da incerteza.” Descreve o artista.

Realmente... um “trágico nos trópicos”...





sábado, 11 de junho de 2016

ESTRANHEZA ONÍRICA

“Há sonhos
que devem permanecer nas gavetas,
nos cofres, trancados até o nosso fim.
E por isso,
passíveis de serem sonhados
a vida inteira”.
                       HILDA HILST

E parecem sonhos as obras expostas na Mostra ARQUEOLOGIA EXISTENCIAL do artista plástico mineiro Farnese de Andrade (1926-1996). E na loucura dos sonhos dançam cabeças, bonecas, esferas cristalinas, esqueletos de pequenos animais, figuras talhadas em madeira, formas aprisionadas em redomas de vidro.

Há muita religiosidade expressa nas obras. Muitas delas em oratórios que encerram a complexidade de um artista. Outras, acondicionadas em resinas cujo aspecto lembra uma porção de figuras congeladas. Objetos em resina dão um efeito espetacular: a obra “São Miguel” de 1984, onde o santo parece – em tons avermelhados – matar uma serpente.

Muitas imagens chocam, causam estranheza, como os bebezinhos na boca de uma ostra gigante ou da aranha devorando outros bebezinhos.

E não deixa de trazer certo medo já que a música ecoada pelas paredes da galeria no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, tem um toque fúnebre. Os objetos e a música combinam bem. E os sonhos, também.





sábado, 13 de fevereiro de 2016

ARTE CONTEMPORÂNEA




São como pequenos navegando no mar – num mar de granito. Numa nave espacial. Fios dispostos, entrelaçados, objetos ausentes e ao mesmo tempo, presentes. Flutuantes. Pontos que ligam figuras como neurônios ligam as luzes. Figuras insólitas caminhando a esmo...

Talvez o início deste meu texto seja confuso, mas foi assim que me senti na exposição que se encontra no Palácio das Artes intitulado “5º Prêmio Marcantonio Vilaça – CNI Sesi Senai”, cujas obras são de cinco artistas plásticos brasileiros.

Na obra “Fábula do Olhar” (2013) de Virgínia de Medeiros são apresentadas “foto pinturas”. Oito quadros de homens e mulheres bem vestidos: moradores de rua e ex-viciados em drogas, junto com seus depoimentos de vida.

As performances são pra lá de modernas – além da minha compreensão. Mas são bonitas em sua plasticidade. Como na apresentação da artista Berna Reale: uma personagem ao som de “Singin' In The Rain”, vestida de terno amarelo, usando uma máscara de gás, caminhando sob um tapete vermelho e num lixão. Só posso perceber como uma clara crítica a uma sociedade de consumo e desperdício.

É muita modernidade para meus olhos, como um performer nu sendo banhado de sangue de seus próprios colegas artistas enquanto tenta se enxugar com as páginas de um livro. “Leva o corpo ao seu limite” é o título do ato dos integrantes do Grupo EmpreZa (com o Z maiúsculo mesmo).

Enfim, não deixa de ser uma visão desta nova safra de artistas a nos presentear no Palácio das Artes.




domingo, 23 de agosto de 2015




Traços num fundo branco... Tinta preta sobre o papel... As obras do artista plástico Leonilson em exposição no CCBB (Praça da Liberdade) são como lembranças. Assim se define numa das salas como “Os trabalhos são como diários”, onde traços finos, pessoas minúsculas, bordados, colagens, compõe os “grandes campos brancos para bordar”.

Numa das salas intitulada “Os 1991”, fixaram com pregos (diretamente nas paredes) alguns trabalhos, principalmente as lonas. Curioso. A acrílica sobre lona “Os rios por meu fluído entrego meu coração” de 1992 (um ano após a descoberta da doença que o vitimou em 1993) revela a sensibilidade diante do inevitável, com o acréscimo de cores fortes e vibrantes. 


Sua última obra – que não viu ser finalizada – é uma instalação na capela do Morumbi. Na exposição foram mantidas as mesmas proporções. E na sala onde está parece algo espacial, algo de enquadramento e que me lembrou o estilo visual do cineasta Stanley Kubrick chamado de “One-Point Perspective”. Enfim, um belo trabalho do Leonilson. 


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Tudo começa num ponto


O ponto remete ao traço.
O traço remete à forma.
A forma merece a cor.
Esta foi a impressão que eu tive ao ver a exposição “Tudo começa num ponto” no CCBB, do pintor russo Wassily Kandinsky (1866/1944) e de seus conterrâneos. É uma infinidade de obras de arte de encher os olhos. É de uma beleza ímpar o estilo desta escola russa. Cores, traços, forma, numa mistura hipnótica.
Ver uma obra de arte na TV ou numa revista não tem a tamanha intensidade de vê-la ao vivo. Uma obra de arte diante de seus olhos é estarrecedor. E perceber como realmente são suas cores é uma experiência incrível. Foi o que presenciei, também, nas obras da pintora alemã Gabriele Münter (1877/1962) – ela foi aluna de Wassily Kandinsky.
Suas cores vivas soltam aos nossos olhos. É de uma vivacidade que encanta qualquer espectador. Certamente, seguiu a lição do Mestre.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A MÚSICA




“Os grandes gênios sofrem
e devem sofrer, mas eles
não têm que se queixar:
eles experimentaram uma embriaguez
desconhecida do resto dos homens”.
CHARLES GOUNOD

Imagine o mundo sem música. Imagine se os pássaros não cantassem, se o homem não descobrisse a arte de compor e de criar instrumentos musicais. O mundo não seria o mesmo. A música tem seu mistério. Entretanto, segundo o dicionário não é nada misterioso: “arte de combinar os sons de maneira agradável ao ouvido”. Até é muito simples. Através do ouvido somos influenciados pela música. Ela nos deixa tristes ou alegres. Deixa-nos excitados ou podemos simplesmente nos relaxar. Existem pessoas no mundo que se encarregam de tratar de “nossos ouvidos”. Os gênios da música clássica, por exemplo, vieram ao mundo para despertarem melodias adormecidas. Para o compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828), o ato mais simples deste mundo era compor. A música brotava de seu ser como água jorra de uma cachoeira. Produziu mais de mil obras em apenas trinta e um anos de vida. Às vezes, a música aparece com intensidade maior como é o caso do compositor russo Petr Ilich Tchaikowsky (1840-1893). Certa vez, quando menino, ele fora surpreendido pela governanta a soluçar e chorar. Indagado sobre aquele estado, dizia que era por causa da música. A música o atormentava. Pedia para ser salvo, pois ela não o deixava descansar. A música estava em sua cabeça e clamava por sair. Será que existem pessoas que vêm ao mundo para despertarem as músicas? Acredito que sim. Como acredito que qualquer um já experimentou a sensação de ouvir uma música e imaginado consigo mesmo: “Acho que já ouvi essa música...”, ou “Essa música foi feita para mim...”, ou “Eu poderia ter escrito essa música...”. A música está em todos os lados. Em todos os cantos. Basta as pessoas nascerem para descobri-la.

sábado, 11 de junho de 2011

Leveza sobre sandálias





O arco impede o passo perfeito. Expulsa o corpo a sobressalto. Nada obstrui o plástico e a borracha de desenvolverem o livre arbítrio. O arco casa com as sandálias num enlace eterno sobre os tacos. Impossível pensar na estranheza dos fatos. Os objetos inatos na suspeita do desaparecimento do ser – daquela que os possuiu. O arco prensado, as sandálias saltitantes – peças centradas no feixe de luz, raptadas de sua proprietária. Subjugados pelo simples fato de serem objetos – de serem descartáveis. Arco em sua infinita grandeza de circunferência, do ato contínuo que beira à perfeição. Imagino a bailarina a girar o bambolê e saltitar com suas sandálias de dedo numa cena em câmara lenta de um filme noir. Naquele dia perfeito para se passear e brincar. Descrevo seu desaparecimento como o último suspiro do ar que respirou. E por fim, arco e sandálias descansam da atividade fútil que guiava suas vidas. Permanecendo assim abandonados à espera das horas.
Miniconto inspirado na obra de Stéphane Vigny “A emoção estética” (L’emotion esthétique) 2009, numa releitura da obra de Waltercio Caldas de 1977.