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domingo, 2 de setembro de 2018

BARFLY





“Vivemos todos numa espécie de inferno”
Wanda Wilcox

Em BARFLY – CONDENADOS PELO VÍCIO (1987) com direção do francês Barbet Schroeder, a vida de pessoas que frequentam um bar traz a dura realidade de uma classe social marginalizada. Prostitutas, bêbados, párias cuja redenção só a encontram no copo de uísque ou cerveja.

O filme conta a vida de Henry Chinaski (interpretado pelo ator Mickey Rourke – em seu melhor papel). Um escritor que perambula pelos bares, bebendo sem perder a classe e sempre entrando na porrada com seu desafeto no beco atrás do bar. Faye Dunaway faz o papel de Wanda Wilcox, sua companheira bêbada que vive sendo sustentada por outro cara.

Quando retorna para casa, Henry escuta músicas clássicas para criar seus contos. Bem, não diria uma casa, mas uma espelunca de prédio, e o seu quarto, local de paredes mofadas e sujeiras a toda sorte. Até que um dia a editora de uma revista fica interessada em seus contos e faz de tudo para conhecer o autor daquelas histórias. Intrigada como um beberrão é capaz de escrever contos interessantes, eis uma frase do próprio personagem:

“Ninguém que escreve algo de bom poderia escrever em paz”


Baseado na obra de Charles Bukowski – cuja aparição relâmpago no filme não deixa de ser percebida – condenados pelo vício traz a tona vidas despedaçadas, de amores traídos, de decepções sociais... e seus infernos pessoais.

domingo, 3 de junho de 2018

HAROLD & MAUDE



“ Se você quer cantar, cante
E se você quer ser livre, seja livre
Porque existem milhares de coisas para ser...”


Um jovem descontente com a vida e cheio de criatividade em simular suicídios que deixam sua mãe louca da vida. Com o tempo, sua mãe já não se assusta mais com tais cenas e o jovem mesmo assim continua sua sagaz vida de suicida ambulante. Estou falando de Harold. Um garoto que adora freqüentar velórios e participar de enterros de pessoas que não conhece. Um jovem com muita vida pela frente, mas sem vontade nenhuma de viver. Ele ama tanto a morte que seu veículo é um “carro fúnebre”. Eis que ele encontra uma senhora de 71 anos num cemitério que é totalmente o contrário dele: ela ama a vida e tenta aproveitar o máximo dela. Estou falando de Maude, uma velhinha arteira, capaz de roubar árvores e plantá-las em outro lugar, e de pilotar motocicletas na mais alta velocidade.

Estou falando de HAROLD & MAUDE – ENSINA-ME A VIVER (1971) do diretor Hal Hashby. Harold é interpretado pelo ator Bud Cort e Maude pela espetacular atriz Ruth Gordon. Com trilha sonora de, nada mais nada menos, Cat Stevens, o filme é um primor de amor à vida. Baseado no livro de Colin Higgins, Harold & Maude são como dois corpos que se atraem como ferro e o ímã. A questão da solidão é marcante no filme. Interpretação de Bud Cort com seu olhar sarcástico e o vigor da interpretação de Ruth Gordon desfilam neste filme feito com sensibilidade.

E a canção "If You Want to Sing Out, Sing Out", de Cat Stevens é um hino de celebração à vida. 




domingo, 10 de dezembro de 2017

Lembrança feliz de dias de flores


O curta metragem UMA LEMBRANÇA FELIZ DE DIAS DE FLORES, do estilista mineiro Rodrigo Fraga trata o tema do vestuário. Daquele prazer em vestir uma roupa nova e de se sentir bem consigo mesmo.

O casamento é o destaque deste filme em preto&branco. E trata de ambientes antigos onde se pode perceber um telefone retrô, crucifixos nas paredes, num jogo de luzes de filme noir.

Os atores Leandro Ribeiro e Trevor Pedrowski pedalam pelas ruas que parecem ser da cidade de Ouro Preto. E as bicicletas são antigas também.


Mais do que pedalar, o curta destaca a relação entre afeto e moda, ou seja, a linha tênue que nos separa entre ser humano e seu vestuário. Ou incorpora.


terça-feira, 18 de julho de 2017

A GAROTA DINAMARQUESA



A Sociedade Brasileira de Psicanálise de Minas Gerais – SBPMG exibiu o filme A GAROTA DINAMARQUESA do diretor Tom Hooper tendo os atores Eddie Redmayne e Alicia Vikander nos papéis principais. Após a exibição, a película foi debatida pelo Dr. Fernando, médico e professor da UFOP e Drª Maria Bernadete, psicanalista.

Baseado em um fato real, A GAROTA DINAMARQUESA conta a história do casal Einar e Gerda Wegener, ambos dinamarqueses e artistas plásticos. Einar ficou conhecido por ser o primeiro homem a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo.  Gerda, sua companheira fiel, acompanhou a transição do marido até ele deixar sepultar seu lado “homem”.

O filme mostra o nítido sofrimento da personagem que se enxerga não mais como a um homem e sim como uma mulher. Mas como Einar viveu num período de trevas (anos 1920 e 1930) tanto como no campo médico como no social, as dificuldades foram extremas. Numa época onde os médicos eram incapazes de compreender o sofrimento destas pessoas que são os transgêneros: aqueles(as) que “identificam com um gênero diferente daquele que corresponde ao seu sexo atribuído no momento do nascimento”.


O filme de Tom Hooper é de uma delicadeza ímpar e possui uma belíssima fotografia. 

sábado, 3 de junho de 2017

PRESSÁGIO



Não é a primeira vez que a cidade de Nova York é devastada ou importunada por eventos catastróficos de uma indústria chamada Hollywood. Em KING KONG, o gorila gigante toma o Empire State Builduing. Em EU SOU A LENDA a população é exterminada e os que sobreviveram se transformaram em zumbis. Em INDEPENDENCE DAY a cidade é destruída por um raio disparado pela nave alienígena. Em ARMAGEDOM é devastada pelos meteoros. Em IMPACTO PROFUNDO ela é arrasada pela gigantesca onda do mar. Em O DIA DEPOIS DO AMANHÃ a cidade é congelada em virtude dos danos causados pelo efeito estufa.
Já neste filme PRESSÁGIO, do diretor Alex Proyas, o ator Nicolas Cage se vê diante da eliminação da cidade de Nova York e do mundo também.  No início do filme tem-se a impressão de ser um filme de terror. A garotinha Lucinda (com seu olhar triste e assustado) dá o tom sombrio à película. Em 1959 crianças de uma escola depositaram em uma cápsula do tempo desenhos e cartas para serem abertas cinqüenta anos depois. Já Lucinda não faz desenhos e sim vários números sem sentido algum. Em 2009, na mesma escola, a cápsula é aberta e um a um cada aluno pega um envelope. O garotinho Caleb ao abrir seu envelope se depara com uma folha escrita com números em seqüência. Ao mostrar para seu pai, um professor de astrofísica interpretado por Nicolas Cage, percebe que os números revelam dias, meses e anos e número de mortes de vários desastres naturais ou não que aconteceram ao longo dos cinqüenta anos. Estudando os números, o professor percebe que o documento ainda prevê três outras catástrofes. E no final, o filme revela um segredo surpreendente. 

Um excelente filme para se ver, principalmente para conferir as três cenas – os três últimos desastres previstos pela garotinha Lucinda.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O SONHO DE WADJDA


Como voluntário do Bike Anjo, já ouvi muitas histórias de como as pessoas só tiveram oportunidades de pedalar apenas na fase adulta. O mais extraordinário dos fatos foram senhoras que me relataram que os pais não as deixavam pedalar por que podia “perder a virgindade”. Bom, isso nas décadas de 1940 e 1950, principalmente em cidades do interior de Minas Gerais. Felizmente nestas décadas do século XXI não ouvimos mais estas histórias. Estamos evoluindo como humanidade.

O enredo de O SONHO DE WADJDA, cuja temática está enraizada nos dogmas de uma religião muito castradora, esta questão da “virgindade” é citada. No filme, a personagem Wadjda é uma jovem garota da Arábia Saudita cujo maior desejo é ter uma bicicleta para poder apostar corrida com seu amigo Abdallah. Vivendo num ambiente muito conservador, ela faz de tudo o que pode para realizar seu sonho. Wadjda é uma garota avançada para o local em que vive. Ela ousada – destemida. Gosta de andar com tênis All Star, ouve rock e vende pulseiras que ela mesma faz para juntar dinheiro para ter uma bike.

De certa forma, Wadjda desobedece aos pais e a diretora da escola onde estuda apenas nos gestos. Não responde aos adultos como uma garota mimada, e sim, no seu jeito de agir, como por exemplo, pintar o seu tênis com caneta hidrográfica preta para seguir as normas da escola.  

A diretora do filme, Haifaa Al-Mansour, conduz com delicadeza este tema delicado. Com muito humor e diálogos geniais da menina Wadjda.

Uma cena que me emocionou: o amigo Abdallah ensinando a Wadjda a pedalar.

E no mais, um filme cativante!



domingo, 16 de abril de 2017

Apenas PASSAGEIROS



Sabe quando você está esperando por um filme e quando o vê não é nada daquilo que esperava?
Pois bem.
Foi assim que me senti ao ver PASSAGEIROS do diretor Morten Tyldum. É inegável a interpretação de Jennifer Lawrence: fantástica! E inegável também os efeitos especiais deste super filme de ficção científica. E a temática da “solidão” é algo claustrofóbico. Mas eu esperava mais. Eu imaginava que os atores principais seriam os pilotos da nave envoltos numa trama emblemática. Bom... ficou só na minha imaginação. Trata-se apenas de uma bela história de amor.

OBS.: O que faz o grande ator Andy Garcia aparecer apenas na cena final (uns meros segundos)? Essa eu não entendi...


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

MESMO SE NADA DER CERTO


No projeto MEDCINE da Faculdade de Medicina da UFMG foi exibido o filme MESMO SE NADA DER CERTO (2014) do diretor John Carney cuja temática é a superação. A personagem Gretta (Keira Knightley) é abandonada pelo namorado depois que este alcança fama com destaque de seu trabalho musical e também se apaixonar por outra mulher. Gretta, como também compunha músicas com ele, permanece em Nova York refletindo se retorna a sua cidade natal ou não. Neste tempo, o produtor Dan (Mark Ruffalo) a vê cantando num bar e fica impressionado com seu talento e resolve investir em sua carreira. Porém, Dan é outro fracassado que acabara de ser demitido de uma gravadora e se vê num turbilhão de desencontros com sua ex-mulher e a filha adolescente.

Ambos os personagens se apegam como forma de superarem seus problemas pessoais. Às vezes, parecem que suas vidas vão ruir. Porém, “mesmo se nada der certo” eles permanecem juntos. A relação entre eles flui como música. E música é a mola central do filme, cujas letras traduzem os sentimentos de suas vidas.


O projeto é realizado toda última quarta-feira do mês e desta vez o debatedor foi o professor Helian Nunes.


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

SOLARIS





Este filme realizado em 2002 é a segunda versão do clássico SOLARIS de 1972, uma produção russa com atores russos. George Cloney faz o papel de um psicólogo enviado a uma estação espacial para investigar uma série de assassinatos e suicídios. A estação espacial fica perto do planeta enigmático chamado Solaris. Baseado no livro do escritor russo Stanislaw Lem, o filme é hermético, um tanto filosófico. A película possui longas tomadas e explicações detalhadas.

E é mais um filme sobre o questionamento: O que é real? O que é cópia? E um personagem questiona: “Caso sou uma cópia, porque tenho medo de morrer?” Segundo o crítico do jornal Estado de Minas, Marcelo Castilho Avellar, “Solaris realiza com eficiência um dos elementos mais incômodos e fundamentais do pensamento romântico: a teoria do universo como mito, a possibilidade de que tudo o que conhecemos como realidade seja, na verdade, um complexo e convincente sistema de ilusões”.




sábado, 8 de outubro de 2016

TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE





Baseado em fatos reais e no livro dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, o filme TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE (1976) evoca a história de um dos presidentes mais controversos dos Estados Unidos, Richard Nixon, no período de 1972 a 1974. Os atores principais são coadjuvados por um time de primeira como Jason Robards, Jack Warden e Martin Balsan.

A trilha sonora é de David Shire que mescla músicas de suspense e ação. Quando o filme começa não há música de abertura e a cena é o arrombamento da sede do Partido Republicano no prédio de Watergate.

O filme mostra o processo de investigação dos repórteres do jornal The Washington Post. A película não aborda a vida pessoal dos personagens e sim sua relação com o trabalho jornalístico. E o trabalho jornalístico fora uma intricada investigação que resultou em processos para renúncia do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, um fato histórico na história americana. Nos fica evidente a neutralidade dos repórteres, em face do que pode acontecer. Eles não querem ver sua nação à ruína, mas precisam cumprir profissionalmente a função que é a de ser repórter. Que é informar através de fatos, a verdade (?) para a sociedade. 

No ramo jornalístico repórteres precisam ter sorte para conseguirem um “furo de reportagem” e Woodward e Bernstein tiveram muita sorte na investigação entre tantos repórteres de outros jornais. Eles só publicam algo se for confirmado e não citam nomes.

Numa época que não existia a Internet, os repórteres buscam os registros de livros consultados pela Casa Branca, numa cena espetacular onde a câmera foca os dois em plena busca de provas para sua matéria jornalística; a imagem afasta-se de baixo para cima num tom de profundidade.

Eles possuíam uma arma poderosa: o telefone. E através dele investigam a vida de todos os envolvidos. E a cada resposta do interlocutor, os repórteres anotam tudo em seus blocos – cada palavra. Eles são orientados por seu editor, interpretado por Jack Warden.

Bob Woodward tem a ajuda de um homem misterioso com o codinome “Garganta Profunda”, interpretado por Hal Halbrock, que apenas confirma e o orienta em sua investigação. Eles se encontram de madrugada no estacionamento de um Shopping:
“Você me diz o que sabe e eu confirmo, mantenho você na pista certa” – diz Garganta Profunda.

Em algumas cenas há sempre um rádio ou TV transmitindo  e passando notícias, ou na redação do jornal ou no apartamento de Woodward. Numa época onde as máquinas de datilografia eram as armas dos jornalistas, a palavra transformada em notícia para deleite de leitores. As matérias de Woodward e Bernstein levaram o Tribunal de Contas a investigar o comitê de reeleição de Nixon.

Como no início o filme termina sem música. E com Woodward e Bernstein datilografando ferozmente suas máquinas de escrever.
A vida não para.

INFORMAÇÃO TÉCNICA
Nacionalidade: EUA
Direção: Alan J. Pakula
Atores: Robert Redford, Dustin Hoffman
Ano: 1976





domingo, 17 de julho de 2016

PERVERSA PAIXÃO



Direção: Clint Eastwood
Atores: Clint Eastwood, Jessica Walter, Donna Mills
Ano: 1971

Estréia de Clint Eastwood como diretor, PLAY MISTY FOR ME é o título original deste filme. No Brasil, o título é PERVERSA PAIXÃO. Conta a vida de um disc-jóquei (Clint Eastwood) que é atormentado por uma fã (Jessica Walter) que sempre pedia a ele “para tocar a canção Misty”.

O interessante notar nesta película é a conexão de três itens:
1) o dia-a-dia do disc-jóquei;
2) a relação dele com a fã obsessiva;
3) a questão de tocar a música “Misty”.

O filme tem uma trilha sonora de primeira! A canção “The First Time Ever I Saw Your Face” na voz de Roberta Flack é belíssima.


É de se admirar como um sujeito “meio estilo brucutu” que fez muitos filmes de faroeste e de policial naquela época, interpretando personagens durões e “marrentos” fosse capaz de dirigir filmes com tamanha sensibilidade. Haja vista, o sensível “As Pontes de Madison”.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

QUEM SOMOS NÓS



Documentário de 2004 sob direção de William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente cujo assunto é a respeito da física quântica, tomando como exemplo o dia-a-dia de uma mulher. A física quântica é um assunto muito complicado. Trabalha-se com “possibilidades”. E a consciência é a base. Trabalha-se com o “observador que me vê”. Eu sou um observador que vê e um observador que me vê. Como ver através dos olhos da pessoa que se tornou! Bem complexo!

A percepção que temos do mundo é o que o cérebro nos emite; é o que já está estabelecido. Um mesmo objeto está em dois lugares diferentes?

Acreditam que conseguem a possibilidade de alterar a realidade. Se não consigo andar sobre a água, eu não consigo. Mas, se acreditar... Caso escolha minha experiência, eu mudo minha realidade. O medo de concluir esta experiência me impede de realizá-la.

Por que não conseguimos dominar nossos sonhos? Dar-lhes uma direção? Depende do que acredita ser real. Se você não consegue controlar seu estado emocional está viciado nele.

O que o pensamento pode fazer conosco? É a pergunta da física quântica.  Só poucas pessoas atingirão este estágio. E quando a humanidade conseguir isso seremos todos “deuses” e consequentemente não precisaremos cometer guerras, crimes, e todo mal. Na física quântica não é necessário em concordar com tudo, e sim, “pensar por si mesmo”!


sábado, 5 de março de 2016

A GRANDE APOSTA





Do diretor Adam McKay, com os atores Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling, Marisa Tomei e Brad Pitt,

O filme trata-se dos precedentes da crise norte-americana em 2008 e que afetou o mundo inteiro, mais conhecido como a “bolha imobiliária”. Para quem não entende muito de economia – como é o meu caso – fica difícil a compreensão de termos como “CDA”, título bancários, “SDS sintéticos”, e tantos outros termos que são citados no filme. Mas deu para perceber que a “bolha” estourou devido a inadimplência das pessoas que compravam as casas e não pagavam. No filme tem um exemplo de uma pessoa que tinha cinco hipotecas (três casas e dois apartamentos) e não pagava nada! Muitos americanos pegavam empréstimos para compra das casas e não lhes eram solicitados comprovantes de renda. Nossa! Realmente uma “bolha” dessa tinha que estourar.

Com relação aos atores, é espetacular a interpretação de Christian Bale. Quem o vê interpretando o Batman não fala que é a mesma pessoa. Outro que me surpreendeu foi o Steve Carell. Notório ator de comédias (atuou em “O Todo Poderoso” e “Agente 86”) está sensacional como dono de uma corretora. Não é à toa que foram indicados ao Oscar. Eles se transformam...

Bom, voltando ao enredo, estes atores interpretam os corretores que haviam pressentido a quebra deste sistema imobiliário e resolveram investir contra. 

domingo, 2 de agosto de 2015

TETSUO: O HOMEM DE FERRO



Há dor na transformação. Há dor na mutação. O filme TETSUO: O HOMEM DE FERRO (1989) do diretor Shinya Tsukamoto retrata a dor e o sofrimento de um personagem que se transforma/metamorfoseia num ser literalmente de ferro. Isto me fez lembrar do livro “A Metamorfose” de Franz Kafka, onde um homem acorda e se vê transformado num inseto. É a transformação, a ruptura, a mudança dos paradigmas da realidade. E esta ruptura se percebe na trilha sonora: ruídos, barulhos, sons exagerados durante os 67 minutos do filme. A película apresenta poucos diálogos, como se nesta “transformação” não há muito que dizer e sim, mostrar. Filmado em preto e branco, TETSUO: O HOMEM DE FERRO se dilacera em meio às ferragens que consomem o seu corpo.

Na animação AKIRA (1988) de Katsuhiro Otomo há um personagem (coincidentemente) de nome “Tetsuo” em que se transforma numa coisa/máquina após as experiências que ele sofreu nas mãos dos militares.

E também, no filme A MOSCA (1986), de David Cronenberg, cujo personagem se transforma numa mosca após as experiências de tele transporte.

Transformar-se numa nova “coisa” é subverter a realidade. É fugir ao padrão de que o ser é constituído. É como uma regra: se você quer se transformar, haverá dor, haverá sofrimento.



domingo, 19 de julho de 2015

Instinto Fatal


E eu venho com aquela velha pergunta: Instinto Fatal (1988) de George Romero é um filme de terror? Podemos considerar que sim. O terror de sentir aquela macaquinha dominando um homem preso a uma cadeira de rodas. O que seria sentir impotente diante de um animalzinho com uma navalha em suas patinhas? Ou com uma seringa cheia de veneno? É um terror psicológico que George Romero nos apresenta.

Mas é um filme de terror ou um filme de “terrir”? Haja vista a platéia que lotou a sala de cinema foi ao delírio em risadas frenéticas quando a macaquinha foi morta pelo personagem principal. E quando o animalzinho brota das costas do personagem na mesa de operações – e nada mais era do que um pesadelo. E mesmo assim, gargalhadas ecoaram.

George Romero dirigiu os filmes “A Noite dos Mortos Vivos”, “Despertar dos Mortos” e “Dia dos Mortos”. É sua saga e seu território: os Zumbis. Como nas décadas de 70 e 80 não havia muitos truques de computação (e que, aliás, nem havia computador), imagino que os diretores de filmes de terror tinham que se virar para realizar tal façanha. Realizar filmes de terror em “filmes de terror” e não deixá-los se transformarem em filmes de “terrir”.  Mas acho que depende da platéia e da época.


Considero este o melhor filme de George Romero: “A Metade Negra”. O enredo: o personagem de um livro toma vida e aterroriza a família e os amigos do escritor que o criou. Filme assustador. Vale a pena conferir!

sábado, 11 de julho de 2015


FOME DE VIVER de 1983 dirigido por Tony Scott é mais um “drama” do que um filme de terror. O jogo de luz e sombra no local onde os “possíveis” vampiros moram retratam a morbidez destes seres que vivem isolados do mundo dos humanos. Como nos filmes de Drácula: aquela penumbra, aquela solidão... A película estrelada por Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Sarandon quase formam um triângulo amoroso. A atriz francesa Catherine Deneuve – no esplendor de sua beleza – retrata com seu olhar vago a solidão disfarçada em alegria de “viver pra sempre”. O roqueiro inglês David Bowie – elogiado em outros filmes como “Furyo” – com a sobriedade de um lorde representa o “marido” eterno de sua Musa. As pombas esvoaçando no local onde repousam os amados da personagem de Catherine representam a paz. Mas não uma “paz” que reina após um conflito. E sim, a paz de deixar esta “pseudo-vida”: a de um “morto vivo”. Tony Scott dirigiu filmes como “Top Gun”, “Um tira da pesada”, “Dias de trovão”, “Maré Vermelha e “Déja Vu”. Até pelo estilo de filmes que costuma dirigir, FOME DE VIVER foge dos padrões de Tony Scott.

 Enfim, uma grata surpresa para este “quase” cinéfilo que escreve estas poucas palavras...

terça-feira, 4 de junho de 2013

John Carter entre dois mundos (2012)



Título original: John Carter

Uma produção da Disney

Dirigido por Andrew Stanton
Com Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton

Gênero: Ficção científica, Aventura, Ação.


O filme narra a saga do soldado John Carter que vive a procura de uma mina de ouro. O personagem vive nos tempos do faroeste, época de cavalos, soldados da cavalaria e diligências e índios. Baseado no livro “Princesa de Marte” do escritor Edgar Rice Burroughs, “John Carter entre dois mundos” é um filme de ficção científica. Em sua trajetória em busca do tão sonhado ouro ele é feito prisioneiro pela Cavalaria Americana que pretende usar de sua experiência para combater numa guerra. Carter não concorda com isso e tenta fugir várias vezes até conseguir. Em sua fuga se depara com índios e ao mesmo tempo com a Cavalaria em seu encalço. Fugindo dos dois grupos não vê alternativa a não ser entrar em uma caverna. A Cavalaria deixa de persegui-lo, mas os índios continuam. Porém estes não têm coragem para entrar na tal caverna, pois consideram um local sagrado. Dentro da caverna Carter encontra marcas em seu interior que o levam a crer que seja a sua tão almejada mina de ouro. De repente, aparece do nada um homem com vestimentas estranhas, totalmente diferente da época e tenta matar Carter. Eles entram em conflito e Carter consegue pegar seu revólver e atira naquele ser estranho. Antes de morrer ele começa a balbuciar palavras em uma outra língua. Em sua mão há um medalhão que começa a brilhar. Carter o pega e como num passe de mágicas desaparece da caverna e aparece em um deserto. No início desta parte o espectador fica sem entender, mas na metade do filme vai perceber que Carter foi teletransportado ao planeta Marte! Em Marte, Carter é dotado de alguns poderes: ele fica mais forte e pode saltar a longas distâncias sem se machucar. Em Marte, Carter se depara com os estranhos habitantes: uma raça de seres gigantes, esverdeados e de quatro braços, os “Tharks”. E uma outra raça de humanos liderados pela princesa Deja Thoris. Carter entra neste mundo em conflito, com várias guerras entre os seus habitantes. E os estranhos seres que possuem o poder de se teletransportar são os “Therns”, os seres espirituais. A questão da viagem entre mundos é interessante. Na visão de Edgar Rice Burroughs, quando Carter “viajou” para Marte seu corpo ficou na Terra. Em Marte chegou a sua “cópia” o que nos faz lembrar da teoria apresentada na trilogia “Matrix” (1999). Edgar Rice Burroughs criou John Carter em 1912, portanto há cem anos. O diretor Stanton acertou na data em lançar o filme em 2012. Outro ponto interessante no filme é a trilha sonora que é maravilhosa. 


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MELANCOLIA


Direção: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, John Hurt, Charlote Rampling, Alexander Skarsgård, Stellan Skarsgård, Udo Kier.
Ano: 2011

     Um momento na vida de duas personagens e aparição de um planeta desconhecido em direção à Terra. Este é o enredo de Melancolia. A película conta com um time de grandes estrelas do cinema como Kiefer Sutherland (do seriado 24 horas), John Hurt (Alien, o 8º Passageiro), Charlote Rampling (Coração Satânico) e Kirsten Dunst (As Virgens Suicidas).
     No início, algumas cenas mescladas de algumas partes da película dão o tom da narrativa: um ritmo lento e cadenciado. As cenas apresentadas em “super câmera lenta” se mostram como o momento poético do filme.
     O filme é dividido em duas partes: Justine I e Claire II, onde as personagens centrais são irmãs. Na primeira parte, Justine (interpretada por Kirsten Dunst) se torna melancólica com o ritual do casamento. A indiferença de Justine diante do fim iminente (aproximação do planeta), sobretudo pela maneira como age e se comporta diante da realidade. O fato de um casamento não desejado. O fato de não se apegar ao retrato de um campo de flores - local onde o marido construiria uma casa e levaria uma vida pacata.
     Enquanto Claire (interpretada por Charlotte Gainsbourg) se preocupa com a felicidade da irmã. Com a aproximação do planeta, Justine se conforma e Claire se apavora. A aflição de Claire diante do não acolhimento de seus entes queridos é notada. Ela não é confortada por ninguém. E para alguém que sempre ajudou os outros, é uma triste constatação.
     Na maioria das vezes, sempre a constante lembrança de um possível meteoro que possa se chocar contra a Terra é mais do que uma plausível constatação. Neste filme, não uma aproximação de um meteoro e sim de um outro planeta. E esta aproximação, como espetáculo aos personagens, é notória.
     O diretor Lars von Trier dialoga com o inusitado e trabalha com a questão da catástrofe, um tema recorrente na humanidade em viradas de século. A maneira como o diretor se expressa diante da mística do fim do mundo revela a melancolia destes personagens intrínsecos.
     A atriz Kirsten Dunst recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes 2011 pela sua interpretação.


domingo, 8 de julho de 2012

O Dossiê de Odessa (1974)

Título original: THE ODESSA FILE

Baseado no livro de Frederick Forsyth

Direção de Ronald Neame

Com Jon Voight e Maximilian Schell


O jornalista Peter Miller (Jon Voight) dirige seu automóvel pelas ruas de Hamburgo, Alemanha, na noite de 22 de novembro de 1963. O rádio está ligado e o noticiário é sobre o assassinato do presidente norte-americano John Kennedy. Ele pára o carro para escutar melhor a notícia. Nesta simples parada aconteceu uma reviravolta em sua vida. Caso não tivesse parado não veria a ambulância e o carro de polícia com suas sirenes tocando. Ele fica curioso e segue os automóveis que param em frente a um prédio. Um senhor havia cometido suicídio. Teve acesso ao diário do senhor Solomon Tauber (Towje Kleiner) e se comoveu com sua história. Solomon fora um sobrevivente de Riga, nome de um campo de concentração nazista. Este campo era chefiado por Eduard Roschmann (Maximilian Schell), o chefe da SS conhecido como "O Açougueiro". Foi um lugar onde Solomon perdera a esposa e que ficara profundamente perturbado com isso. Ao final do diário, Solomon descreve que Roschmann havia se desentendido com um oficial que ganhara a mais honrosa condecoração do III Reich. Roschmann o assassinou pelas costas. E este fato vai influenciar o jornalista Peter Miller tornando obcecado para encontrar "O Açougueiro". Em suas investigações, Miller acaba se deparando com uma organização de nome ODESSA que é a Organização de Formação de Membros da SS criada para dar novas identidades aos oficiais nazistas após o término da Segunda Guerra Mundial. Solomon Tauber havia se suicidado por descobrir que Eduard Roschmann estava vivo, tinha um alto cargo numa empresa e estava com um nome falso. Isto o desiludira por não ter forças para dizer a verdade. E também, por saber que ninguém acreditaria em sua história sem uma prova cabal. Um filme eletrizante, baseado no livro de Frederick Forsyth e com trilha sonora é do excelente Andrew Lloyd Webber.



Curiosidade:
Eduard Roschmann era realmente um criminoso de guerra, que viveu durante muito tempo na América do Sul. A busca por seu paradeiro aumentou consideravelmente após o lançamento do livro de Frederick Forsyth e do filme nele baseado, até ter sido encontrado morto. A sigla Odessa significa "Organisation der ehemaligen SS Angehörigen". Traduzindo, Organização de Formação de Membros da SS.
Fonte: Google













quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Filme dos Espíritos



Cajazeiras, Paraíba, 1943: Um jagunço espreita um trabalhador por trás de um arbusto. E com seu rifle atira no indefeso.
São Paulo, SP, 2000: Um homem se embriaga com uma garrafa de uísque relembrando momentos passados com sua jovem esposa. Assim começa O Filme dos Espíritos. A trama está focada no professor Bruno (personagem central do filme) que se torna refém das bebidas após a prematura morte da esposa. Nelson Xavier interpreta Levi, um médico responsável por uma casa que ajuda deficientes com paralisia cerebral. Ele acredita que pessoas com deficiência são seres que precisam passar por uma evolução espiritual, como forma de expiação de suas vidas passadas. Levi apresenta a Bruno a doutrina espírita através dO Livro dos Espíritos de Allan Kardec, e este mantém um certo receio até ler as primeiras páginas do livro. A aproximação de Bruno com a palavra mediúnica abre seu coração para o perdão. E após ler o livro e se conscientizar da mensagem, Bruno o entrega a uma senhora que chora sobre o túmulo em um cemitério. Um livro como esperança a muitas pessoas: livro que se passa de mão em mão como redenção a almas desconsoladas no mundo terreno.
Mas nós espectadores nunca estamos satisfeitos. Senti falta de um aprofundamento na questão do aborto e na forma de expiação que os espíritos enfrentam quando quitam “dívidas passadas”. Mesmo assim, não deixa de ser um bom filme para se refletir. E ele cumpre sua meta – alerta os espectadores para a existência de dois mundos – cuja maior missão é levar a mensagem mediúnica: de fazer o bem e disseminar o amor.
E a relação entre a cena inicial em Cajazeiras, na Paraíba e a vida de Bruno só nos é revelada no final da exibição.




O Filme dos Espíritos é inspirado nO Livro dos Espíritos de Allan Kardec, cuja publicação datada de 18 de abril de 1857, contém os “princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ornados por Allan Kardec”.