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sábado, 11 de junho de 2011

Leveza sobre sandálias





O arco impede o passo perfeito. Expulsa o corpo a sobressalto. Nada obstrui o plástico e a borracha de desenvolverem o livre arbítrio. O arco casa com as sandálias num enlace eterno sobre os tacos. Impossível pensar na estranheza dos fatos. Os objetos inatos na suspeita do desaparecimento do ser – daquela que os possuiu. O arco prensado, as sandálias saltitantes – peças centradas no feixe de luz, raptadas de sua proprietária. Subjugados pelo simples fato de serem objetos – de serem descartáveis. Arco em sua infinita grandeza de circunferência, do ato contínuo que beira à perfeição. Imagino a bailarina a girar o bambolê e saltitar com suas sandálias de dedo numa cena em câmara lenta de um filme noir. Naquele dia perfeito para se passear e brincar. Descrevo seu desaparecimento como o último suspiro do ar que respirou. E por fim, arco e sandálias descansam da atividade fútil que guiava suas vidas. Permanecendo assim abandonados à espera das horas.
Miniconto inspirado na obra de Stéphane Vigny “A emoção estética” (L’emotion esthétique) 2009, numa releitura da obra de Waltercio Caldas de 1977.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

SERRA DA GANDALERA – A SAGA



SERRA DA GANDALERA – A SAGA
Padrinho: Luiz Carlos (Lucarol)
Grau de dificuldade: Alto (altíssimo)
Percurso: 80 Km (sendo 43,2 Km de bicicleta)
Rumo à: Serra da Gandalera

Sábado, dia 23 de abril de 2011, Luiz Carlos (Lucarol), Evan, Aylton e eu (Javert) nos encontramos no município de Rio Acima. Dava-se início ao pedal rumo a Serra da Gandalera.

Às oito e meia, saímos de Rio Acima pedalando pelo asfalto até entrarmos no estradão de terra. Trecho de subidas (às vezes médias e às vezes fortes), com poucas retas.

Chegamos à “Escolinha” – um ponto de referência do pessoal do Mountain Bike BH. Trata-se de uma escola municipal e que logo acima há um local de descanso com espaço para estacionar os carros, venda de água e refrigerante. Aylton propôs a idéia de deixar os carros neste local quando tiver um outro pedal, isto para encurtar a distância.

O estradão é todo de minério. Minha bike pulava e fazia uma barulheira danada. Pedalamos por mais um trecho de longa subida, alternando paradas para descansar ou para empurrar nossas bikes. E após esta longa subida chegamos ao topo para vislumbrarmos uma bela paisagem e uma bela descida. Aylton disparou na frente e nos distanciamos dele. Logo em seguida foi a vez de Evan sumir. E só ficou eu e Lucarol para trás.

Depois de contornarmos uma curva eu e Lucarol deparamos com um corpo estendido no chão e uma bike retorcida ao lado:
Evan caiu!
Não o vimos cair e a princípio achava que ele estava descansando. Mas ficamos assustados quando o vimos. Ele levou um tombo feio! Seu capacete parece que explodiu tamanho o estrago. O impacto deve ter sido enorme. Seu rosto no lado direito ficou inchado e um corte no supercílio sangrava muito. Seu joelho direito ralado, o ombro esfolado que chegou até a rasgar a camisa. A princípio ele não conseguia se levantar do chão. Estava zonzo. Seus óculos de grau estavam com as hastes retorcidas e com as lentes trincadas.

Aylton deu uma grande dianteira, devido a descida. E quando percebeu que nós não estávamos atrás subiu o trecho de volta. Nisso já estávamos eu e Lucarol nos primeiros socorros ao Evan. Por sorte não teve nenhum osso quebrado. Tiramos nossos kits de primeiros socorros de nossas mochilas: gaze, esparadrapo, tesoura, merthiolate, água oxigenada, etc.

Não tivemos outra alternativa senão continuarmos o pedal. Os celulares não pegavam. Evan não estava enxergando direito já que seus óculos estavam desalinhados e por precaução deixou assim mesmo já que havia a possibilidade das hastes quebrarem. Seguimos até começarmos a penetrar numa trilha. E a trilha ficava cada vez mais estreita até tornar-se um single track. Foi quando Aylton teve uma queda. Porém não foi grave, pois era trecho de piso liso (barro batido) e ele apenas ralou o cotovelo. Evan já não sentia as dores e seu humor já estava de volta.

Foi neste trecho que eu e Lucarol nos deparamos com uma cobra. Evan e Aylton haviam passado sem perceber, mas quando cheguei bem perto e apesar do embalo da minha bike pude perceber o réptil. Posso jurar que passei por cima dela e no susto levantei minhas pernas assustado com o movimento que a cobra fez: acho que ela deu um bote! Gritei “cobra!”, “cobra!”, pois logo atrás vinha Lucarol que parou imediatamente. Então armados de nossas máquinas fotográficas tiramos algumas fotos do animal. Pedal sinistro! Pedal Punk!

Tivemos que subir um morro. Isso mesmo! Um morro e muito íngreme. Empurrando as bikes que escorregavam junto com a gente devido ao tipo de terreno: parecia que o morro esfarelava-se.

Depois deste sufoco e cansativo trabalho de subir empurrando nossas bikes, começamos a descer por um trecho pior ainda. Isto porque começava a escurecer. Tirei minhas duas pilhas da máquina fotográfica e com mais duas pilhas reservas coloquei em minha lanterna. Lucarol, Evan e Aylton também colocaram suas lanternas para trabalhar. De estradão passamos à trilha. E cada vez mais estreita. E para piorar estava com valas. Às vezes passamos sentados nas bikes e com as pernas abertas escorando-se nos lados. E não tive mais paciência e comecei a caminhar dentro da vala e carregando a bike por cima do ombro. Cruzamos com um riachozinho e enchemos nossas garrafas mesmo sem saber se a água era boa ou não. Não importava, pois a sede era demais. E continuamos nesta balada na trilha muito fechada pela mata e pelas árvores onde sequer víamos o céu. E por fim chegamos ao estradão e pudemos perceber como o céu estava estrelado.

Ao chegarmos às primeiras casas, pedimos socorro e fomos atendidos pelo Rogério, morador de Contagem e que tem uma casa nos arredores de Rio Acima. Depois de uma rápida explanação dos fatos e de ver o Evan todo enfaixado, Rogério nos serviu uma janta deliciosa que, para nossos corpos cansados, foi uma bênção. Arroz, feijão, macarrão e carne: um manjar dos deuses. Comida feita em fogão à lenha. Uma delícia!

Ele nos levou de caminhonete. Na carroceria fomos eu, Lucarol e Aylton e as bikes, E na cabine, Tido (amigo do Rogério), Rogério e Evan. Os familiares de Rogério nos emprestaram alguns cobertores para nós nos protegermos do vento e do frio, pois, pela voz da experiência de Lucarol, nós íamos passar. E não deu outra. Fez frio e o vento cortava nossos corpos molhados de suor. Os cobertores ajudaram e muito.

Chegamos a Rio Acima às 22 horas. Com certeza, se não fosse a ajuda do Rogério, chegaríamos a Rio Acima após às duas horas da manhã. E este foi o fim da saga à Serra da Gandalera.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Rud’s – 17 de abril de 2011




RESENHA
Rud’s – 17 de abril de 2011
Madrinha: Maria Flávia
Grau de dificuldade: leve/médio
Percurso: +- 20 km
Rumo à: Praça do Papa/BH Shopping.
Início: 08 horas.
Término: 11h20min.

Encontramos-nos na Praça da Estação para mais um RUD’s (Rolé Urbano de Domingo) com a participação de três ciclistas (Maria Flávia, Carlos Plácido e Javert Denilson). Seguimos pela Avenida Andradas e só decidimos no meio do caminho o que íamos fazer: subir a Contorno até a Avenida Afonso Pena. Pedalamos rumo a Praça do Papa. Na volta descemos até a Avenida Bandeirantes e seguimos até o final da mesma. Fomos em direção a Rua Patagônia. Subimos aquela ladeira terrível empurrando nossas bikes. E depois seguimos até o BH-Shopping. Resolvemos pedalar pela Avenida Raja Gabaglia e depois descer pela Avenida Barão Homem de Melo. Fomos em direção a Avenida Teresa Cristina e encerramos o pedal. Um trecho tranqüilo e bom para “desenferrujar os ossos”.

quarta-feira, 30 de março de 2011

A PARTIDA


Produção japonesa que narra a história de um violoncelista desempregado que retorna à cidade natal junto com sua esposa para tenta arrumar um novo emprego e ajeitar a vida. Após ler um anúncio no jornal decide comparecer para entrevista. O que ele não sabia é que o cargo é de agente funerário. Ou mais precisamente, preparar os mortos para sua viagem. Trata-se de um ritual de limpeza e purificação. O violoncelista fica na dúvida em aceitar o emprego e também como contaria a novidade para a esposa. Um dilema. Ele aceita o emprego e aos poucos vai se acostumando. Segundo Lair Mattar, mestre em educação pela UFMG “a solidariedade dos agentes funerários é também traduzida no modo como lidam com os corpos inertes. O trabalho feito com respeito e cuidado para deixar o corpo estendido com dignidade e os traços do rosto suavizados são bem proporcionados aos familiares, nessa hora de dor”. Por que filmes japoneses como estes são tão premiados? Este foi o vencedor de Oscar de melhor filme estrangeiro. Penso que a fotografia ajuda um pouco. Os japoneses são mestres na fotografia. Que o diga Akira Kurosawa. Outro detalhe é a cultura japonesa: muito inédita aos nossos olhos ocidentais. Por isso os filmes iranianos, israelenses e do oriente médio em geral faturarem vários prêmios. São dotados de histórias, culturas, eventos inéditos aos nossos olhos de consumistas de plantão. Ineditismo. Este é o grande lance do cinema atual. • Ano de Produção: 2008 • Áudio Original: Japonês • Elenco: Masahiro Motoki, Ryoko Hirosue, Tsutomu Yamazaki, Masahiro Motoki, Kimiko Yo • Direção: Yojiro Takita

terça-feira, 1 de março de 2011

Ursos Polares - Sombras sobre o gelo

No documentário da National Geografic que leva este título os ursos vagueiam sobre a imensidão gelada e branca, fazendo com que eu me encolha mais na poltrona. Nem na hora da propaganda dá vontade de sair do aconchego. Ursos polares são nômades, não têm territórios fixos. Eu fico vendo aquela neve branca, aquele gelo, aquela desolação total de tudo, das coisas.

A mãe urso e seus dois filhotes passeiam entre a nevasca que os atingem. Um dos filhotes está doente e não se agüentando mais, acaba morrendo. São também como nós, seres humanos, sobrevivendo neste mundo através da “lei do mais forte”.

Só os fortes sobreviverão... Diz o narrador.

Diante de tamanha perspectiva de vida sinto-me consolado em viver neste lugar. Em face de tantos outros lugares desolados pelas guerras, pela incompreensão, pela discriminação, pelo racismo e tantas outras mazelas.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

RUDS Santa Luzia


RESENHA
Rud’s – 23 de janeiro de 2011
Padrinho: Aylton Coelho
Grau de dificuldade: leve/médio
Percurso: +- 56 Km
Rumo à: Cidade Administrativa/Santa Luzia
Texto de Aylton Coelho e Javert Denilson

O encontro para mais um RUDs (Rolé Urbano de Domingo) foi na entrada do supermercado EXTRA do Minas Shopping às 08h30min e com saída às 09 horas. Com uma adesão maciça de 23 ciclistas (19 homens e 04 mulheres), o ritmo do passeio foi o mais tranqüilo possível e com muita confraternização entre os participantes. Houve problemas mecânicos como o pneu furado do Vinícius e com alguns ajustes na Superbike do Nino, nosso colega e ilustre visitante de Itabira. Após uma rápida passagem pela Cidade Administrativa, seguimos para Santa Luzia e chegamos por volta das 12h30min. Conforme combinado, o pessoal optou por almoçar no Restaurante Galeria onde um self-service delicioso nos aguardava. E com as mais diversas iguarias, desde leitoa assada até bacalhoada. O proprietário do restaurante tratou a turma como ilustres visitantes “Vips”. Além de disponibilizar um estacionamento privativo para as bikes, reservou ainda um espaço no restaurante só para nós almoçarmos com tranqüilidade e depois descansarmos. O retorno para casa foi tranqüilo e resolvemos passar na casa da avó do Vinícius para tomarmos uma ducha para refrescar, mas ela não estava em casa. Então saímos por volta das 15 horas e chegamos ao Minas Shopping às 16h30min. Apesar das desgastantes subidas e do calor intenso começamos com “chave de ouro” os RUDs de 2011.
Até a próxima pessoal!

Vejam as fotos:
http://picasaweb.google.com/11717357402 ... antaLuzia#

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

METRÓPLE

Pedalo em minha bicicleta pelas ruas da metrópole, o vento acaricia meu rosto – congela-me. Os automóveis rasgam as avenidas e cortam as ruas. De dentro dos ônibus as pessoas conversam numa linguagem sem sabor. Vejo as pessoas – sinto-as. O calor da presença me aquece, mas não sinto amor. A madrugada agora é de um tempo passado. Os primeiros raios do sol iluminam meu caminho pra casa. E o sol não sabe o calor que me faz: um calor mais forte que o amor.